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"Pensa em mim"


Pensa em mim quando ele permanecer calado no meio de suas brigas, deixando que você gaste sua voz, sua alma e sua paciência em dezenas de discussões. Pensa em mim quando ele te transformar em um troféu e desfilar com você para lá e para cá só para te exibir para os amigos. Pensa em mim quando os assuntos de vocês não baterem, quando ele ignorar suas opiniões, quando ele te deixar falando sozinha e sair para cumprir seus compromissos tão importantes.Pensa em mim quando você descobrir que ele não era nada do que você imaginou.

Pensa em mim quando ele não quiser encontrar seus amigos, que nunca fizeram o tipo de cara exemplar. Pensa em mim quando você precisar deixar suas amigas de lado. Quando tiver que ficar em casa, quando precisar abaixar o tom, quando for obrigada a sorrir amarelo para as fotos. Pensa em mim quando tiver que trocar de roupa porque ele não gosta do seu jeito sensual. Pensa em mim quando você tiver que se diminuir para elevar esse cara aí.

Pensa em mim quando você se ver perdida nessa vida que escolheu para si. Quando achar que não tem mais volta. Quando se sentir sufocada pela obrigação de ser a mulher perfeita. Pensa em mim quando quiser fugir para longe, quando pensar em abandonar suas escolhas, quando precisar respirar novos ares. Pensa em mim quando sonhar em deixar esse papel que vem interpretando tão bem. Quando finalmente assumir os erros das suas decisões.

Pensa em mim quando se lembrar dos seus sonhos. Quando rever os planos pelos quais você não correu atrás. Quando lembrar das coisas que costumavam te fazer feliz. Pensa em mim e nas pessoas que você deixou pelo caminho para chegar onde chegou. Pensa em mim e nos sorrisos que você não deu, nas lágrimas que não derramou, nas lições que não aprendeu. Pensa em mim e na história que você apagou para escrever um novo livro. Pensa em mim e nas coisas que você não disse, e também em tudo aquilo que você gritou.

Mas...pensa em mim. Hoje, amanhã, daqui a alguns anos, quando finalmente se tocar da besteira que fez ao desistir da gente. Lembra aí o quanto eu te fazia feliz, o tamanho do meu sorriso quando eu te via, a forma louca que eu conseguia te amar. Pensa em mim. Pergunte-se, com a maior sinceridade: você o escolheria de novo? E quando souber a resposta, não sei, mas...pensa em mim. Me procura, corra atrás. Quem sabe por puro amor eu também não continue pensando em você. Quem sabe eu ainda esteja te esperando. Não sei. Só pensa em mim.

Mais um texto escrito pela linda da Karine Rosa. E achei bem legal a descrição que a Nanda Campos fez dela: "Karine Rosa fala sozinha há vinte e um anos, é jornalista em formação, acredita nas pessoas e em apocalipse zumbi (você pode escolher qual das duas coisas é pior, sabe), parece fofinha, mas não se engane, é escorpiana e vingativa e tem pa-vor que a chamem de Karina (se liguem, é com E no final)! Entre mil blogs, você encontra (e reencontra) textos dela no Isso Não É Um Diário *se por um acaso você estava morando em outro planeta e ainda não conhecia esse blog, sugiro correr lá agora*"

"Eu falo de amor o tempo todo"


Eu assisto a filmes românticos e choro. Leio histórias que fazem meu coração apertar. Eu me emociono com propagandas, com cartas, com e-mails e comerciais de margarinas. Eu vivo me derretendo em histórias alheias, sorrisos alheios, amores alheios, porque, no fundo, eu nunca quero nada para mim. E aí eu vivo por aí escrevendo sobre o amor e escondendo de todo mundo que a minha vida toda tudo o que eu mais fiz foi procurar não amar.

Eu procurei não amar aquele carinha que se declarou para mim em pouco tempo. Eu procurei não amar meu melhor amigo, porque ele ia embora para outro país. Eu procurei não amar meu casinho de infância. Eu procurei não amar de verdade nem os meus amores platônicos, porque eu morria de medo de entregar meu coração para alguém tão distante de mim. Eu procurei não amar o vizinho, o menino que sentava ao meu lado e meu ex-qualquer-coisa. Eu fugi do amor como quem foge da cruz, e falei de amor, li sobre o amor, escutei amor, assisti ao amor. Tudo para me encher de algo que eu 
quase nunca tive.

Talvez um psicólogo dissesse que eu tenho mania de autossuficiência. A verdade é que eu tento tanto não precisar das pessoas porque saber que não precisam de mim dói demais. A verdade é que eu tenho tanto medo de ser esquecida, ignorada, deixada de lado, que eu vou construindo pouco a pouco, tijolo a tijolo, um muro em minha frente. Abro porta, janela e portão pra quem quiser entrar. Mas basta um mísero sinal de que não tá gostando da hospedagem para eu passar a chave em todas as trancas.

E eu vivo por aí como se estivesse tudo bem. Como se minhas feridas estivessem fechadas. Como se eu desse oportunidade para tudo o que quiser acontecer. Enquanto vou me trancando em mim e me guardando, me diminuindo, me podando. Vou evitando transbordar para ninguém roubar a minha essência. E todo o amor que tenho, guardo aqui. Trancado a sete chaves, como uma criança acuada que tem medo que roubem o seu melhor brinquedo.

No fundo, eu sou só uma farsa.

Eu falo de amor, mas nem amo.

Texto da Karine Rosa. Ela tem 21 anos, cursa o último ano da faculdade de Comunicação Social e escreve textos lindos.
 
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